domingo, 27 de junho de 2010

Quantas línguas indígenas se falam no Brasil?

História das línguas indígenas

O tupi era a língua indígena mais falada no tempo do descobrimento do Brasil, em 1500. Teve sua gramática estudada pelos padres jesuítas, que a registraram. Era também chamada de língua Brasílica. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica. O tupi é considerado extinto hoje e deu origem a dois dialetos, considerados línguas independentes: a língua geral paulista e o nheengatú (língua geral amazônica). Esta última ainda é falada até hoje na Amazônia.

Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada sobre uma enorme extensão ao longo da costa. Já no século 16, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que, de início, eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população da colônia.

Em 1758, o Marquês de Pombal proibiu o uso da língua geral para favorecer o português. Nesta época, todos os habitantes da colônia falavam a língua geral, ou tupi, que deixou fortes influências no português falado no Brasil. No vocabulário popular brasileiro ainda hoje existem muitos nomes de coisas, lugares, animais, alimentos que vêm do tupi, o que leva muita gente a pensar que "a língua dos índios é (apenas) o tupi", como explica o professor e pesquisador de tupi da Universidade de São Paulo, Eduardo Navarro.

A língua geral amazônica ou Nheengatú desenvolveu-se no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos 17 e 18. Até o século 19, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e brasileira.

Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatú continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os Baré e os Arapaço.

Língua original do Brasil
Padre José de Anchieta
Quadro de Antonio Firmino Monteiro
Delta Universal
O Padre José de Anchieta foi
o principal compilador do tupi

A língua tupi é aglutinante (uma frase é dita em uma palavra), não possui artigos, como o Latim e não flexiona em gênero e nem em número
. Um bom exemplo do tupi é: Paranapiacaba = parana+epiaca+caba, mar+ver+lugar+onde. Ou, lugar de onde se vê o mar, a vila fica a 40km de São Paulo, bem na Serra do Mar e de lá se avista a Baixada Santista.


Por causa da obra do padre Anchieta, no final do século 16, com sua Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil e do jesuíta Luís Figueira, com a A Arte da Língua Brasílica, “o tupi é a língua indígena mais bem-documentada e preservada que temos”, diz o professor Eduardo Navarro, pesquisador da matéria na Universidade de São Paulo.

Ele afirma que o tupi é importante para se entender a cultura brasileira. “O brasileiro já nasce falando tupi, mesmo sem saber. O português falado em Portugal diferencia-se do nosso principalmente por causa das expressões em tupi que incorporamos. Essa incorporação é tão profunda que nem nos damos conta dela. Mas é isso o que faz a nossa identidade nacional. Depois do português, o tupi é a segunda língua a nomear lugares no País”.

A lista de nomes é extensa e continua aumentando. Há milhares de expressões, como:

* Ficar com nhenhenhém – que quer dizer falando sem parar, pois nhe’eng é falar em tupi.
* Chorar as pitangas – pitanga é vermelho em tupi; então, a expressão significa chorar lágrimas de sangue.
* Cair um toró – tororó é jorro d’água em tupi, daí a música popular “Eu fui no Itororó, beber água e não achei”.
* Ir para a cucuia - significa entrar em decadência, pois cucuia é decadência em tupi.
* Velha coroca é velha resmungona – kuruk é resmungar em tupi.
* Socar – soc é bater com mão fechada.
* Peteca - vem de petec que é bater com a mão aberta.
* Cutucar - espetar é cutuc.
* Sapecar - é chamuscar é sapec, daí sapecar e sapeca.
* Catapora – marca de fogo, tatá em tupi é fogo.


O significado de grande parte dos nomes de lugares só se sabe com o tupi. Como nomes de bairros da cidade de São Paulo.

* Pari é canal em que os índios pescavam,
* Mooca é casa de parentes,
* Ibirapuera é árvore antiga,
* Jabaquara é toca dos índios fugidos,
* Mococa é casa de bocós – bocó é tupi.


Na fauna e flora brasileiras, o tupi aparece massivamente: tatu, tamanduá, jacaré. Até nas artes ele é encontrado – como o famoso quadro de Tarsila do Amaral, o Abaporu, que quer dizer antropófago (canibal) em tupi.

Segundo o professor Navarro, o tupi foi a língua mais falada do Brasil até o século 18 e foi a segunda língua oficial do Brasil junto com o português até o século 18. Só deixou de ser falado porque o Marquês de Pombal, em 1758, proibiu o ensino do tupi. O tupi antigo era conhecido até o século 16 como língua brasílica. No século 17, ele passou a ser chamado de língua geral, pois incorporou termos do português e das línguas africanas. Mas continuava sendo uma língua indígena, assim como é até hoje o guarani no Paraguai, falado por 95% da população. A dissolução do tupi foi rápida porque a perseguição foi muito violenta. Mesmo assim, até o século 19 ainda havia muitos falantes do tupi. Hoje, a língua geral só é falada no Amazonas, no alto Rio Negro – chama-se nhengatú e tem milhares de falantes entre os caboclos, índios e as populações ribeirinhas.

O professor Navarro conta que o nheengatú foi preservado na Amazônia porque lá a presença do Estado era mais fraca. “Na Amazônia, o português só se tornou língua dominante no final do século 19. Isso porque, em 1877, houve uma seca terrível no Nordeste, o que ocasionou a saída de 500 mil nordestinos da região, que foram para a Amazônia levando o português”.

Apesar do tupi ser uma língua morta, é também uma língua clássica, pois foi fundamental para a formação de uma civilização, assim como o foram o latim, o sânscrito e o grego, que é uma língua clássica ainda falada. O tupi foi fundamental também para a unidade política do Brasil. Havia outras línguas indígenas que não tinham relação com o tupi, como a dos índios Guaianazes e Goitacazes. Mas eram línguas regionais. O tupi evoluiu para outras línguas além da geral. No Xingu, há línguas que vêm do tupi antigo e são faladas até hoje.

O curso de tupi da Universidade de São Paulo (USP) foi fundado em 1935, pelo professor Plínio Airosa e é o único dessa língua em todo o Brasil. Tem duração de um ano e a procura é muito grande – em cada semestre há cerca de 200 alunos.

A pesquisa e o perigo da extinção das línguas

A dificuldade de acessar tribos escondidas nas florestas e paragens do Brasil, às vezes, torna a pesquisa científica das línguas indígenas lenta. O ritmo de catalogação e documentação é mais devagar do que o processo de extinção.

As línguas indígenas são continuamente submetidas a um processo de extinção (ou mesmo de exterminação) desde o descobrimento do Brasil pelos europeus. Hoje há cerca de 180 línguas indígenas no Brasil, mas isto é apenas 15% das mais de mil línguas que se calcula terem existido aqui em 1500, de acordo com a pesquisadora Ana Vilacy. Essa extinção drástica de cerca de 1000 línguas em 500 anos (uma média de duas línguas por ano) não se deu apenas durante o período colonial, mas manteve-se durante o período imperial e tem-se mantido no período republicano, às vezes, em certos momentos e em certas regiões, com maior intensidade, como durante a recente colonização do noroeste de Mato Grosso e de Rondônia, nas décadas de 1950 e 1970.

Quase todas as línguas indígenas que se falavam nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil desapareceram, assim como desapareceram quase todas as que se falavam na calha do rio Amazonas. Essa enorme perda quantitativa implica, naturalmente, uma grande perda qualitativa. Línguas com propriedades insuspeitadas desapareceram sem deixar vestígios, e provavelmente algumas famílias lingüísticas inteiras deixaram de existir. As tarefas que têm hoje os lingüistas brasileiros de documentar, analisar, comparar e tentar reconstruir a história filogenética das línguas sobreviventes é, portanto, uma tarefa urgentíssima.

Muito conhecimento sobre as línguas e sobre as implicações de sua originalidade para o melhor entendimento da capacidade humana de produzir línguas e de comunicar-se ficará perdido para sempre com cada língua indígena que deixa de ser falada.

Ana Vilacy revela que a preocupação com a documentação das línguas indígenas levou o Museu Goeldi, em conjunto com várias universidades da Amazônia e de fora da região a organizar uma ação combinada de preservação. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Vilacy conta que a quebra da transmissão das tradições culturais indígenas é a principal causa da extinção. Essa quebra acontece por vários fatores, como a mudança das gerações mais jovens para as vilas e cidades mais próximas e a perda de contato com sua cultura original. A pesquisadora lembra que, a iniciativa das escolas indígenas tem contribuído para garantir que as línguas continuem vivas entre as etnias.
tem também uma proposta de se fazer um inventário nacional da diversidade lingüística.

Educação e preservação

Segundo o censo escolar realizado pelo Ministério da Educação e Cultura em 2006, o número de escolas indígenas cresceu 40% de 2002 até aquele ano. Essa pesquisa revelou que há 2.423 escolas reconhecidas como indígenas pelo Conselho Nacional de Educação.

Existem mais de 173 mil alunos em escolas indígenas, cursando desde a educação infantil até o ensino médio. Em 2002, esse número era 35,2% menor, o que indica um crescimento de aproximadamente 8% ao ano – expansão mais expressiva do que qualquer outro segmento da população escolar do país no período.

Em Roraima, existem 217 escolas indígenas estaduais e 15 municipais espalhadas por terras indígenas pelo estado. A Universidade Federal de Roraima (UFRR), com apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai), oferece o curso de Licenciatura Intercultural com formação específica para professores indígenas. O curso tem 220 alunos. Todos os anos é feito um vestibular que oferece 60 vagas para quatro anos de formação.

Iniciativas de escolas indígenas espalham-se por todo o país. A língua é a principal base de preservação da identidade e cultura desses povos. Todas as universidades federais do Brasil oferecem cotas a estudantes índios. Muitas vezes, essas cotas não são preenchidas. Como na Universidade Estadual do Amazonas, que em 2007 ofereceu 174 vagas para indígenas, mas não completou o número de alunos índios candidatos. A principal barreira é que, muitas etnias, ainda não têm escolas de nível médio.

Fonte: http://pessoas.hsw.uol.com.br/linguas-indigenas1.htm

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ilha das Flores

As armadilhas da pobreza

Em entrevista à CartaCapital Bernardo Kliksberg, assessor do Pnud, fala dos efeitos perversos da desigualdade

Denise Ribeiro

Todos os anos 18 milhões de seres humanos morrem por causas relacionadas à pobreza. Dez milhões são crianças. Em 2008, o mundo comemorou sua segunda maior safra agrícola da história. Mesmo assim, 5 milhões de crianças morreram de fome por falta de acesso à comida.

Esses tipos de dados balizam os estudos do economista argentino Bernardo Kliksberg, que assessora o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e outros tantos organismos multilaterais como a Unicef e a Unesco. Criador de uma nova disciplina, a gerência social, o argentino é um dos pioneiros na disseminação do conceito de ética para o desenvolvimento, o capital social e a responsabilidade social empresarial. Autor de 47 obras, seu livro mais recente, As pessoas em Primeiro Lugar, foi escrito em parceria com Amartya

Sem, prêmio Nobel de Economia em 1998. Um dos palestrantes da conferência internacional do Instituto Ethos, que acontece em São Paulo entre a terça-feira 11 e a sexta 14, Kliksberg concedeu a seguinte entrevista a CartaCapital. Segundo ele, o círculo perverso da iniquidade só será rompido quando enxergarmos a pobreza como uma violação dos direitos humanos, contra a qual é preciso lutar diariamente.

CartaCapital: No livro Primeiro as Pessoas, em parceria com Amartya Sen, o senhor reflete sobre ética e desenvolvimento. No mundo, esses conceitos realmente já são associados?

Bernardo Kliksberg: O mundo tem gerado excepcionais avanços tecnológicos nas últimas décadas e aumentado drasticamente sua capacidade de produzir bens e serviços. Ao mesmo tempo convivemos com 3 bilhões de pobres, dos quais 1,2 bilhão são extremamente pobres e 2,6 bilhões não têm sequer banheiro. Uma em cada seis pessoas passa fome em um mundo que pode fornecer alimentos para uma população maior do que a atual. A crise econômica mundial agravou esses problemas. A cidadania exige modelos econômicos que incluam a todos e existe uma demanda ativa e crescente em muitos países nesse sentido. A sociedade civil está cada vez mais articulada e parte da juventude se organiza na internet rapidamente, pressionando a governança global por mudanças e pela adoção de novas regras. A ética e a economia têm de estar a serviço de políticas públicas inclusivas. Nos países nórdicos, no Canadá, e na pequena, mas muito ativa eticamente Costa Rica, está comprovado que práticas éticas fazem bem à economia, geram maior expectativa de vida e criam coesão social.

CC: Por que a América Latina é a região de maior desigualdade do planeta?

BK: O fato de a América Latina ser a região mais desigual do mundo é a chave para entender a intensidade da pobreza na região. Não é que haja pobreza e desigualdade. Há pobreza por causa dos altos níveis de desigualdade. E, sem dúvida, as políticas ortodoxas são responsáveis por aumentar ainda mais a distância entre ricos e pobres. Na Argentina, por exemplo, que foi um verdadeiro laboratório de políticas econômicas ortodoxas nos anos 90, o fosso social aumentou 225% entre os governos Alfonsín (1986) e Menem (2000). A pobreza triplicou, o desemprego atingiu picos históricos, a base econômica de amplos setores de pequenos e médios empresários e profissionais liberais foi destruída, 8 milhões deixaram de ser classe média para se tornarem novos pobres, o coeficiente de Gini (que mede a distribuição de renda) piorou drasticamente. A distância entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres passou de 12 vezes em 1986 para 22 vezes em 1995, 26 vezes em 2000 e 28,7 vezes em 2001. Essa política se revelou simplesmente má economia.

CC: Como o senhor analisa os atuais governos da região, que tentam implementar políticas sociais mais inclusivas para seus habitantes?

BK: Novos ventos históricos sopram na América Latina. Os cidadãos buscam, por diferentes caminhos, uma economia de rosto humano, o que têm gerado significativas mudanças geopolíticas na região. O reflexo disso é uma nova geração de políticas sociais com maior destinação de recursos, mais ativa, com melhor gestão, e buscando a participação das comunidades atendidas. Se não fosse por elas, o impacto da crise teria sido ainda maior.

Programas como o Fome Zero e o Bolsa Família, implementados no Brasil pelo presidente Lula, ganharam respeito e se transformaram em referência internacional por vários motivos. Tem a maior escala jamais conhecida em matéria de política social no continente, conseguem uma maior redistribuição progressiva de renda para os mais pobres, melhoram a sua situação e envolvem os pais nas responsabilidades relacionadas à educação e saúde para com seus filhos.

E também conseguem conectar os pobres aos serviços do Estado. Quanto mais se avance em dar pleno acesso à educação e à saúde, e em ver as comunidades a que se quer atender como sujeitos ativos, e não como beneficiários passivos, crescerá o “empoderamento” da população. Há progressos em toda a América Latina, mas é preciso redobrar os esforços. Ainda há 190 milhões de pobres nessa região tão rica potencialmente. Mais de um em cada três latinoamericanos carecem do essencial. O motor é impulsionar a participação cidadã. Quanto maior ela for, melhor qualidade terão as políticas públicas.

CC: O senhor poderia explicar um pouco melhor o seu conceito de gerência social?

BK: A ênfase está na distribuição de renda, mas na América Latina a desigualdade se dá também no acesso a ativos produtivos, tais como a terra e uma boa educação. Mais de 50% dos jovens em muitos países da região não terminam o ensino médio. Entre os jovens 20% mais pobres, apenas um entre três conseguem. Há também a desigualdade no acesso à saúde e as assimetrias em poder ingressar no mundo das tecnologias, a chamada brecha digital.

Todas essas dimensões da desigualdade interagem e se reforçam mutuamente. Existe desigualdade até no direito de formar uma família. Muitos casais jovens se abstêm de fazê-lo porque não têm garantia de habitação, de emprego ou de entrada de recursos mínimos. Todos esses fatores criam "armadilhas de pobreza", ou seja, crianças que, por nascerem na pobreza, têm problemas de saúde, enfrentam trabalho precoce, não conseguem concluir o secundário, e, portanto, estão destinadas a ficar fora da economia formal. Uma gestão social eficiente deve atuar sobre o conjunto de causas, somando-se políticas públicas ativas à responsabilidade social das empresas privadas e à mobilização da sociedade civil. A mídia pode dar uma grande contribuição, tornando visível o invisível (os pobres), mostrando as boas práticas sociais, divulgando experiências comparativas e elevando o nível de qualidade do debate social. Quanto mais próximos estiverem dos problemas reais da população, como a pobreza, mais êxito os meios de comunicação terão.

CC: Há uma maneira de enfrentar a desigualdade quando os mesmos problemas se repetem como um pesadelo?

BK: Enfrentar a desigualdade exige investimentos sustentados de longo prazo em áreas como saúde, educação, inclusão de jovens, abastecimento de água e outros setores que permitam aos pobres romper o círculo vicioso da pobreza. Isso pode ser feito. Note, por exemplo, como o governo do Uruguai conseguiu, com um programa em massa, que 350 mil crianças do ensino primário passassem a ter acesso ao mundo digital. Elas ganharam computador, foi instalado Wi-Fi nas suas escolas e houve investimento na formação de professores.

CC: O senhor afirma existirem seis mitos da pobreza, que impedem que ela seja combatida. Qual o mais deletério deles?

BK: Junto com as desculpas para tentar justificar a pobreza – dizendo que ela sempre esteve lá e em toda parte –, que não podem suportar o choque de realidade, o mito mais perigoso é aquele que vê o pobre como um problema alheio, um reforço à insensibilidade vigente em relação à pobreza. Eu o chamo de acostumar-se à pobreza, como se ela fizesse parte da natureza, o que leva à perda da capacidade de se indignar perante a flagrante violação dos direitos humanos que ela representa. Devemos lutar diariamente contra essa atitude.



Fonte: Carta Capital - http://www.cartacapital.com.br/

Sejam Bem Vindos!

Em breve teremos alguns temas históricos para debates.